domingo, 19 de abril de 2015

De quando voltei a ser Indígena: uma história de emergência cultural

Por Avelin Rosana*

“Os povos indígenas emergentes são povos indígenas que em um dado momento histórico pararam de se reconhecer como tal e que, a partir de um novo contexto histórico, passaram a reafirmar esta identidade.”


Afirmar minha identidade e fortalecer a luta indígena vou contar minha própria história de emergência ou etnogênese.
Venho de uma família de migrantes, o nomadismo no sangue desde as raízes mais ancestrais, mas para não alongar demasiado essa história vou começar a partir de meus pais.Meu pai, filho de pai Tapuio e de uma mãe filha Africanos escravizados cresceu no interior de São Paulo, trabalhando nas lavouras, mas nunca se habituando à vida na roça.

Minha mãe filha de mãe Indígena e pai desconhecido cresceu no sertão Pernambucano, vivendo em grande situação de pobreza. Mas nunca se rendeu a “venda” de meninas para “trabalhar” como domésticas em São Paulo atividade recorrente no sertão.

Sendo assim com histórias tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas se encontraram no sertão Pernambucano por conta de uma obra (meu pai havia saído enfim da roça e se tornara peão de obra) e minha mãe trabalhava para os empregados da empresa lavando, passando e cozinhando para ajudar no sustento da mãe e do irmão mais novo. Desse encontro nasceram três filhas. Eu, Avelin, a caçula sou a que vos fala.
Então com as obras a família viajou por muitos estados e meu pai em busca de sempre dar boas condições de vida á família também foi para o exterior. Nos finais dos anos 80 nos estabelecemos em Belo Horizonte. A adaptação foi difícil especialmente para a minha mãe e para mim que tinha uma sensação horrível de inadequação. Na escola tive problemas nos anos iniciais, chorava muito e sofria perseguição por ser “diferente”, quase desisti de estudar.
Minhas irmãs seguiam normalmente a vida de adolescente, sem grandes alterações, pelo menos que eu saiba. Talvez tenham passado seus percalços em silêncio.

Enfim, consegui fazer o ensino médio de certa forma me situei assumindo minha forma “estranha” de ser, mesmo assim perambulava entre tribos urbanas e ainda me sentia uma estrangeira. Em casa a luta pela sobrevivência prevalecia sobre qualquer aspecto cultural pré-existente. Trabalhar e trabalhar, nossa família destoava dos vizinhos porque sequer as igrejas frequentavam nenhuma delas.

Quando desisti do terceiro curso universitário resolvi trilhar outro caminho fui morar na Amazônia como voluntária em uma ONG, lá havia muitos cursos transculturais e meus primeiros reencontros com os parentes se deram. Tive grandes mestres lá, linguistas, antropólogos, tradutores, gente de coração humilde, cozinheiras sensacionais, pescadores gentis, ribeirinhos, especialistas em malária e indígenas de muitas etnias. Dessa organização conheci o povo Suruwahá onde uma guerreira me batizou de Buniacá. Começa aí minha etnogênese.
Voltei do norte apaixonada pela cultura indígena e a sensação de pertencimento tão desejada a vida inteira finalmente aconteceu. Algum tempo depois morei em Brasília onde se reuniam muitas etnias na luta por uma vida mais digna e na luta por direitos. Dessa vivência nunca mais fui a mesma.

De volta a Belo Horizonte decidiu pelo curso de Ciências Sociais, a parte de antropologia me encantou profundamente e nas conversas em casa geralmente na cozinha começávamos a desenterrar nossas raízes.Minha mãe assumiu sua indianidade a muito escondida pelas urgências de sobrevivência na cidade grande e começamos a reencontrar os parentes.Em Belo Horizonte a presença dos artesãos e a precariedade com que eram tratados chamou nossa atenção para a necessidade de uma organização que lutasse por nossos direitos.Assim com as mobilizações de 2012 pelos Guarani Kaiowá outras pessoas se juntaram a nós e formamos o Comitê Mineiro de Apoio às Causas Indígenas- Aldeia Umuarama, um coletivo multiétnico e multicultural de referência a nossos parentes em situação urbana ou em trânsito por Belo Horizonte.

Da luta ao dia a dia não consigo mais conceber a vida sem a cultura indígena, sem a pintura a música,o artesanato, a luta, a lágrima a alegria e a dor.E a cada dia a indigenização se torna mais forte a cada dia me torno mais indígena e esse processo garças a Tupã é irreversível.
Essa é a minha história,de renascimento de quem nasceu indígena se perdeu na selva de pedra e teve que renascer em outro povo pra poder dizer hoje com convicção que achei meu lugar no mundo. Posso gritar que sou indígena e tenho muito orgulho disso!

#direitosIndigenas
#Pec215não
#Indigenize

*Avelin Rosana é uma das autoras de Nós da Poesia e integrante do Instituto Imersão Latina desde a sua fundação.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

Terreiro de Brother reúne manifestações culturais diversas

Shows de música e poesia vão fazer do Centro Mineiro de Cultura no bairro São Paulo uma reunião de ritmos e vozes


O Centro Mineiro de Cultura apresenta Terreiro de Brother, shows itinerantes que se iniciam neste sábado, 28 de março, às 19 horas. O Centro Mineiro de Cultura fica na rua Maria Piétra Machado 123, no bairro São Paulo. O espaço conhecido como curral do samba já recebeu em sua história artistas diversos.
Djalma e Jone Herno

O músico Djalma Januário, vocalista da banda Agbara e agente cultural de longa data, junto com percussionista Jone Herno coordenam esse significante projeto que vai girar de norte a sul de Belo Horizonte.

A abertura do Terreiro de Brother será uma grande celebração de arte, no mês internacional das mulheres e da poesia. A noite começa com o recital Poesias de Março, coordenado pela Associação Internacional de Poetas, Imersão Latina e UNIAC. Estão confirmadas a participação dos poetas:  Brenda Mars, Carlos Barroso, Consuelo Aragão, Ênio Poeta, José Hilton Rosa, Martha Reis, Newton Emediato e Rosângela Ferris.

Lu Toledo
Música feita por mulheres
Os shows musicais começam com a cantora Lú Toledo destilando MPB.
A cantora possui um estilo peculiar de cantar com voz que expressa delicadeza e lirismo ao mesmo tempo
em que consegue exprimir como quem realmente acredita no que diz. Como nas palavras de um fã escritor que lhe escreveu: “Que mulher é essa que quando canta solta sua alma como pássaros escapando de uma gaiola, numa demonstração de felicidade pura?”

Cáusticas
Na sequência a Cáustica marca presença com o rock feminino das mulheres Cáusticas. Formada por Brenda Mars, bateria e voz, Polly Alves, baixo e voz, Pâmilla Villas Boas, guitarra e voz e Bárbara Lopes, voz e percussão, a banda traz músicas autorais, incluindo a música Nada de Cor. O single foi gravado no estúdio Minério de Ferro, da banda de pop rock Jota Quest e está sendo lançado este mês. A música é da banda Cáustica, com co-autoria de Fab Palladino e arranjos de Filipe Marks. A produção do clip de divulgação da música de Renato Gaia e Paloma da Matta Machado e pode ser conferida pelo facebook.com/banda.caustica


Banda Agbara divulga seu novo trabalho Agbalá

A banda Agbara está divulgando seu mais recente trabalho Agbalá ,com repertório ecleticamente bem colocado traz no seu conteúdo elementos que formam a digital da banda, fusão de seguimento diferenciados da música brasileira, principalmente as de matrizes africanas. A banda Agbara representa e promove cultura e arte há quase duas décadas e lança agora divulga talentos que despontam na querida Minas Gerais.

Serviço:
Terreiro de Brother: encontro de arte e culinária
28/03/2015 às 19 horas
Local: Centro Mineiro de Cultura (rua Maria Piétra Machado 123, bairro São Paulo, em Belo Horizonte, Minas Gerais)
Recital Poesias de Março e shows de Lú Toledo, Cáusticas e Agbara.
Valor dos ingressos: R$ 10,00


Mais informações: (31) 88616899/ 35882976

terça-feira, 17 de março de 2015

A poetisa Marina Mara lança Figuras durante Lounge Poético

O livro Figuras traz 123 poemas escritos em diferentes momentos da vida da autora, porém, todos com a mesma textura lírica e ativista. O livro será lançado também na versão e-book pela editora Kiron, com sede em Taguatinga, cidade natal da poeta Marina Mara. O ativismo literário de Marina Mara está presente nos 123 poemas deste livro, que também presta homenagem a algumas "figuras" ímpares como Honestino Guimarães, Pagu, Patativa do Assaré, Fela Kuti, Leila Diniz, Laerte Coutinho, Manoel de Barros, Baden Powell, Reynaldo Jardim, entre outros seres imprescindíveis para nossa formação ideológica e poética. O prefácio do livro é do mestre Tom Zé, guru amoroso de Marina Mara e figura imprescindível que dispensa apresentações. 

A ilustração da capa do livro é da artista plástica e tatuadora Téssia Araújo, que expressou com sua arte a essência dos poemas e da autora em cada traço e cada tom de aquarela que ilustra o livro Figuras. Conheça mais sobre a artista no http://instagram.com/tessiatattoo .

Como sempre, nosso palco estará aberto à poesia de quem chegar. A noite dessa terça está recheada de surpresas musicais, líricas e inesquecíveis, além do sorteio de um Day SPA Poético do Lotus SPA, um ensaio fotográfico da Mirah Fotografia, livros, imãs poéticos e no mais, quem vier ver, verá.

SERVIÇO
Lançamento do Livro Figuras e Niver da poeta Marina Mara
Dia 31/03
Das 20h às 1h30
Entrada: um sorriso
Apoio: Balaio Café

Produção: Marina Mara


SOBRE MARINA MARA
Marina Mara é poeta, publicitária, ativista cultural, atriz, roteirista, designer gráfico, consultora de projetos poéticos e literários. Atua pelo Brasil desde 2006 com projetos multimídia que abordam a poesia em diferentes formatos como grafite, quadrinhos, cinema, artes visuais, teatro, intervenções urbanas, internet. Dedicada exclusivamente à poesia, Marina viajou o país ministrando cursos e oficinas poéticas em feiras literárias e coletivos de arte. Em maio de 2010, Marina Mara lançou seu primeiro livro solo, o SarauSanitário.com, que é parte de um projeto homônimo que distribuiu poesia por banheiros públicos e pelo mundo virtual.
  Em março de 2015, Marina lançou dois cursos de interpretação de poesia, o Poeteen, para jovens e o Poesia no Palco, para adultos. No fim deste mês Marina lançará seu livro Figuras, com 123 poemas e prefácio de Tom Zé.

“Ser romântico é achar que tudo são flores, ser poético é plantá-las”.

Marina Mara
Marque presença no evento do Facebook - https://www.facebook.com/events/691099094333842 e até mais!

sexta-feira, 13 de março de 2015

14 de março - dia nacional da poesia vai ser comemorado com rachão poético e copa do mundão de poesia

Dia Nacional da Poesia

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Rachão Poético – Copa Mundão de Poesia
Com Rodrigo Ciríaco 
A Biblioteca temática em Poesia recebe o “Rachão Poético” para a primeira edição de 2015. A Copa Mundão de Poesia é um campeonato de times de poetas, que procura alinhar a produção literária marginal-periférica que fervilha nas bordas da cidade, com elementos da principal nacional: o futebol. O objetivo é ousado: tornar a poesia uma paixão, um esporte nacional, tendo como suporte e referência o futebol e a produção literária brasileira, realizadas nos diversos saraus e batalhas poéticas que existem pela cidade, e dos elementos comuns presentes a estes: a oralidade, a expressão corporal, a torcida (platéia), toda ginga e claro: o grito que explode ao final de cada gol, ops, ao final de cada poesia! 

14 de março (sáb), 19horas - BP Alceu Amoroso Lima
www.bibliotecas.sp.gov.br

quarta-feira, 4 de março de 2015

Editora selecional escritores para integrar E-book coletivo Rumores da Alma

PROJETO: E-BOOK COLETIVO “RUMORES DA ALMA”

Amigo (a) Escritor (a):

Adaptada às novas tecnologias, com a experiência adquirida na Área da Cultura, principalmente na Literatura, nas cidades de Blumenau/SC, Canoas/RS e hoje em Pomerode/SC e com 3 (três) e-books lançados, estou organizando o primeiro e-book coletivo de poemas.
Em homenagem ao Comendador Fábio Ramos, Presidente da Seccional Micro Região de Blumenau/SC da Academia de Letras do Brasil e Vice Presidente Estadual da Academia de Letras do Brasil/SC e em parceria com aEditora Casa Leiria, estou organizando a 1ª COLETÂNEA E-BOOK COLETIVO “RUMORES DA ALMA”.
O objetivo do PROJETO: E-BOOK COLETIVO “RUMORES DA ALMA” é publicar um e-book (*) (livro eletrônico) em edição cooperativada, com a participação de escritores (as) contemporâneos (as), onde cada Autor (a) fará o investimento de R$ 100,00 (cem reais), tendo a inclusão de 5 (cinco) poemas (até 30 linhas), foto e mini currículo e com o recebimento de 5 (cinco) exemplares.
O frete dos exemplares será por conta de cada Autor (a).
(*) Este e-book é um cd físico que pode ser lido e/ou ouvido no computador.
Obs.: Exemplares adicionais podem ser solicitados por R$ 20,00 (vinte reais) cada.
Os poemas terão tema livre e as inscrições encerram em 30/04/2015.
A revisão ortográfica será feita pelo (a) próprio Autor (a) e as interpretações (algumas) serão feitas pela Escritora e Poetisa Neida Rocha.
Espero com isso, atender aos anseios dos Escritores Contemporâneos, promovendo e favorecendo a produção literária contemporânea, além de nos adaptarmos às novas tecnologias.
Para aderir ao PROJETO: E-BOOK COLETIVO “RUMORES DA ALMA” o Autor (a) deverá formalizar sua aceitação por escrito, através de e-mail (neidarocha@terra.com.br) enviando os textos, foto e mini currículo, solicitando a conta para depósito.
Coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Neida Rocha

LÁ VAMOS NÓS DA POESIA…