sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

‘Prêmio Sesc de Literatura 2016’ com inscrições abertas


Escritores podem se inscrever nas categorias Conto e Romance


Prêmio Sesc de Literatura 2016 está com inscrições abertas, até o dia 12 de fevereiro, para as categorias Conto e Romance. A iniciativa tem o objetivo de incentivar a produção literária nacional por meio da valorização de novos escritores e da renovação do mercado.

Poderão concorrer autores brasileiros e estrangeiros, residentes no Brasil, com mais de 18 anos. O candidato deverá adotar um pseudônimo, não podendo assinar a obra com o nome verdadeiro. A coautoria é aceita para os Romances e não serão permitidas inscrições de obras póstumas.

O livro deve ser inédito e o concorrente não poderá ter nenhuma outra obra publicada na categoria em que se inscrever. Para os Contos, o trabalho deverá ter entre 140 a 400 mil caracteres, e nos Romances, entre 180 e 600 mil caracteres. Vale lembrar que será permitida a inscrição de título cuja pequena parcela do conteúdo tenha sido publicada em blogs pessoais ou revistas eletrônicas, desde que não ultrapasse 25% do total da obra.

Os interessados devem se inscrever pelo site do Prêmio Sesc de Literatura. Um código identificador é gerado automaticamente e, com esse, o candidato poderá acompanhar o processo de avaliação. Confira o edital completo aqui.

O vencedor de cada categoria terá sua obra publicada e distribuída comercialmente pela editora Record, com uma tiragem inicial mínima de 2 mil exemplares. Cada vencedor assinará contrato de publicação com a editora, que ficará responsável pelos termos de edição.

Os textos serão analisados por uma comissão julgadora composta de escritores, jornalistas, críticos literários e especialistas em literatura. Não podem concorrer funcionários, estagiários e parentes (até segundo grau) de funcionários do Sesc, da Confederação Nacional do Comércio, das Federações do Comércio, da editora Record e nem dos envolvidos no processo de julgamento do concurso.

Prêmio Sesc de Literatura já revelou 21 novos escritores. Em 2015, os livros vencedores foram: o Romance Desesterro, da paulista Sheyla Smanioto; e na categoria Conto, Antes que seque, da carioca Marta Barcellos.

SERVIÇO
Prêmio Sesc de Literatura 2016
Prazo para inscrições: Até 12 de fevereiro
Gratuito  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Poema censurado na Bahia



O texto “Quadrilha”, de Lívia Natália faz parte do projeto “Poesia nas Ruas”, foi aprovado pelo
Fundo de Cultura. O “Poesia nas Ruas” tem também poemas de Nelson Maca, Alex Simões,
Mel Adún. Os versos foram estampados em outdoors na cidade de Ilhéus, sul da Bahia.
O poema de Lívia recebeu críticas da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado
da Bahia (Aspra), e o outdoor foi removido,
 segundo o site Bahia Notícias. 

A censura gerou manifestações de apoio à professora Lívia Natália nas redes sociais, sites e
blogues. A poetisa desabafou no Facebook: “Este é mesmo o País que se diz fora do regime 
militar e sem censura? Eu e as pessoas que fizeram o projeto Poesia nas Ruas tivemos o nosso
direito à liberdade de expressão vetado!”


O poeta Jorge Augusto, em matéria no site Bahia Notícias, analisou o poema: “O poema propõe 
pensarmos a subjetividade interditada desse corpo negro, (quando rompe a cadeia amorosa 
que remete a intertextualidade com o poema de Drummond), sinaliza o abandono em que, 
muitas vezes, é condenada a mulher negra, denuncia, ao mesmo tempo, a violência com 
que a PM pratica seu genocídio contra o povo negro. 

É amor, a subjetividade desse ser-negro, pensado, pelo Estado, sempre como um corpo suspeito 
que é tema. Maria não teve tempo de amar João. E o assassinato pela PM é apenas uma 
das formas pela qual essa subjetividade do negro brasileiro foi interditada, pela violência, 
e o poema usa dela para denunciar essa interdição, esse amor que não chegou a ser”.

Valdeck Almeida de Jesus, jornalista e poeta, postou em seu perfil no Face: “Meu apoio público 
a Lívia Natália e ao poema. Nada a retificar. Interditar o outdoor é interditar a livre expressão.
E o poema não diz nada diferente do que as estatísticas já dizem há muito tempo.
Ratifico o artigo do professor Jorge Augusto. 
É necessário que todos nós, poetas, escritores, artistas em geral, nos manifestemos 
contra a retirada do outdoor com o poema de Lívia Natália.”

O projeto Fala Escritor postou “Eu apoio Lívia Natália! Vamos mostrar a força que a poesia, 
a literatura e a cultura baiana têm contra a truculência da PM. Cada um vai marcar cinco poetas 
ou pessoas ligadas à poesia, à literatura e à cultura, compartilhando essa postagem. 
Censurar Lívia Natália é censurar a poesia baiana. Compartilhem.”

   
Aqui o poema:

“Quadrilha

Maria não amava João.
Apenas idolatrava seus pés escuros.
Quando João morreu,
assassinado pela PM,
Maria guardou todos os sapatos.”

(“Correntezas e Outros estudos Marinhos” (Editora Ogum's Toques Negros, Salvador-BA, 2015).

Resta a todos nós lutarmos contra esta censura. Com a palavra: escritores, poetas, 
jornalistas, ativistas culturais, pesquisadores, professores, mediadores de leitura, 
grupos e coletivos culturais, associações, academias de letras e o povo em geral.

Fontes:




quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Meu Presépio





Ele podia ter nascido em um palácio mais rico que o de Herodes
Ele podia ter um templo mais luxuoso que o de Salomão 
Mas preferiu respeitar a vontade de seu Pai 
E nascer em uma estrebaria 
Junto aos animais e o afeto de sua Mãe
Deixando-nos uma lição de Humildade 
Amor Misericórdia e Perdão 
Uma Prática que até os dias de hoje
Só acontece na teoria 
Que neste natal a gente possa descobrir juntos 
Em Cristo Jesus A Luz
O caminho da Verdade 
A origem da Vida
E deixar que a Paz de Espirito 
Seja  a Real Presença em nossos Corações 

Feliz todos os Natais 
E os 365 dias de 216 com muita saúde 

Vicente Ferrer, poeta do Nós da Poesia

domingo, 15 de novembro de 2015

Presépio do Cotidiano


PRESÉPIO DO COTIDIANO 
Mírian Warttusch


 - O menino sorriu - não tinha por quê
Debaixo da ponte, tentou se esconder.
Levava uns trocados na suja mãozinha
Isso aconteceu logo de manhãzinha.

Pobreza no mundo, que coisa cruel!
Deitou com o cãozinho, por sobre um papel...
Não tinha a cobri-lo nem uma coberta
- Passar fome e frio será a coisa certa?

A mãe se ajoelha e lhe afaga o rostinho
E apanha as moedas da mão do menino.
O pai - barba grande - sentou-se ao seu lado,
Chovera... e o chão, estava molhado.

A cena tocante, me deu pena até,
Como  ali estivessem, Maria e José.
No chão deitadinho, na cabeça um capuz,
eu diria até que fosse Jesus.

A cena é comum, todo dia se vê...
Mas fiquei tocada, confesso a você!
Em pleno Natal, sem anjo, nem nada,
Montaram o presépio em plena calçada...




segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Nada mais que Pessoa(s)


por Fernando Moura Peixoto*
Homenagem a Fernando Pessoa (1888 – 1935), 80 anos de falecimento em 30 de novembro próximo.
 "A memória é a consciência inserida no tempo." FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)
Nada mais do que pessoas... Pessoas que se deixaram retratar em casa, no trabalho e, principalmente, nas ruas, tendo como cenário o bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, com o monumento ao Cristo Redentor abençoando todos. Gente como a gente, “ordinary people”, “common people”, como se diz nos States.
 “Hoje em dia há imagem demais e fotografia de menos” segundo o incensado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, de projeção internacional. Ainda bem que assim seja. A revolução das maquininhas digitais possibilitou a qualquer um clicar os melhores e piores momentos, seus ou dos outros, democraticamente. Pretender elitizar a fotografia - e também a poesia - é uma grande insensatez. Os “selfies” – ou “selfishes”, como os chama o humorista J. Praiano – parece que vieram para ficar.
Fotografa-se até no banheiro. Pude registrar uma frase do poeta lusitano Fernando Pessoa (1888 – 1935) grafitada num rejunte de azulejo em toalete de bar na Rua Sorocaba – “A minha arte é ser eu...” – graças à praticidade da tecnologia digital. Esnobado pela mídia carioca o assunto pipocou em blogs nos estados - “O Poeta Pessoa Num Banheiro Em Botafogo” - e atravessou o Atlântico. Foi parar na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, e na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, em Portugal, e retornou elogiado:
 “Caro Senhor Fernando. Muito obrigada por esta partilha [Nada Mais do Que Pessoa(s)]. Com os melhores cumprimentos e ao dispor.” Cecília Folgado, Responsável de Comunicação, CASA FERNANDO PESSOA, Rua Coelho da Rocha, 16, Lisboa, Portugal.  www.casafernandopessoa.pt |  Facebook | Instagram
 “Prezado Fernando Moura Peixoto. Agradeço o seu e-mail e as imagens. Realmente, o banheiro seria um dos últimos sítios onde esperaríamos ver uma citação de Fernando Pessoa, o grande poeta da língua portuguesa. Com os melhores cumprimentos.” Ana Moutinho, Porto, PT. - GRI/International Relations Office UNIVERSIDADE FERNANDO PESSOA - Praça 9 de Abril, Porto, Portugal.
Paraense radicada em nossa cidade há muitos anos - justo no bairro de Botafogo -, a cronista e cantora Lúcia Senna pensa de maneira diferente:
 “Aí reside a graça da vida: no inusitado. Quando poderíamos esperar em encontrar Pessoa em um banheiro imundo? Inusitado também o fato do outro Fernando, o Peixoto, tirar a foto da poesia e conosco compartilhar. Coisa de gente sensível!
Bem... Mas como já dizia o nosso grande compositor mineiro Milton Nascimento, ‘todo poeta tem que ir aonde o povo está’... E, sem dúvida, o povo também está nos banheiros imundos dos bares do nosso Brasil. Interessante! Gostei.”
Dedicado a Fernando Pessoa - cujo falecimento ocorreu há 80 anos, em 30 de novembro de 1935 - o vídeo “Nada Mais Do Que Pessoa(s)” teve as fotos realizadas com bom humor entre 2012 e 2015, concordem os puristas da imagética tradicional ou não.
 “Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.”
 “A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.”
“O mito é o nada que é tudo.”
"O sexo oposto existe para ser procurado e não para ser compreendido."
 "A minha pátria é a língua portuguesa."
 “A minha arte é ser eu. Eu sou muitos. Mas com o ser muitos, sou muitos em fluidez e imprecisão. Muitos creem coisas falsas de mim; e eu, falando com eles, faço tudo por deixá-los continuar nessa crença.”
“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas – a de minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus.”
FERNANDO ANTÓNIO NOGUEIRA PESSOA
(13/06/1888 – 30/11/1935)
 Na trilha sonora, o Duo Francisco Mignone, formado pelas pianistas Maria Josephina Mignone e Miriam Ramos, interpreta “Travesso”, “Odeon” e “Apanhei-te Cavaquinho”, do carioca Ernesto Nazareth (1863 – 1934). Considerado porVilla Lobos (1897 – 1959) a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”, infelizmente Nazareth hoje é mais conhecido no exterior do que em seu próprio país. Os arranjos são de Francisco Mignone (1897 – 1986).

Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

domingo, 8 de novembro de 2015

Papel do Varal comemora prêmio de Fomento à Literatura em noite poética

Uma noite de prêmios, homenagens e estreitamento de laços entre o público e a poesia

 A brisa que vinha do mar era suave e contrastava com a inquietude da poesia. Pouco depois das 20h, o Rex Bar escutava as cordas do Duo Lumeeiro tocando Flying to the moon. Logo após o deleite com a música, o anfitrião da festa, Ricardo Cabús sobe ao palco declamando Charles Bukowski e inicia uma noite repleta de comemorações, entre elas, o agraciamento do Papel no Varal pelo Ministério da Cultura com a Bolsa de Fomento à Literatura, sendo classificado como o 1° sarau literário do Nordeste e o 4° do Brasil.

Logo os convites para subir ao palco são iniciados e o primeiro a dar voz à poesia foi Guilherme Ramos, com Soneto de (...)
(continua em


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Agenda dos próximos eventos Lumeeiro:

        14/11/2015 (sábado, às 17h) - III Recital Jorge e Hekel, com Ricardo Cabús e Duo Lumeeiro - Flimar - Marechal Deodoro/AL.

        21/11/2015 (sábado, às 14h) - Tardinha Poética, com Larissa Cabús - VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas

        23/11/2015 (segunda, às 18h) - Mesa redonda "Maceió 200 anos de poesia: da pena à internet", com Fernando Fiúza e Marcos de Farias Costa, mediação de Ricardo Cabús - VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas

        24/11/2015 (terça, às 15h) - Contação de Poesia para Crianças, com Larissa Cabús (estande da Secretaria Estadual de Educação) - VII Bienal     Internacional do Livro de Alagoas

        25/11/2015 (quarta, às 20h) - V Recital Djavaneando Lêdo, com Ricardo Cabús e Duo Lumeeiro - VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas

        26/11/2015 (quinta, às 19h) - Palestra: "A poesia como entretenimento: a experiência do Papel no Varal", com Ricardo Cabús (estande da Secretaria  Estadual de Educação) - VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas

        27/11/2015 (sexta, às 20h) - Uma Poeta na Berlinda, Ricardo Cabús entrevista Nicolas Behr - VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas

        13/12/2015 (domingo, às 19h) - Papel no Varal: poetas vivos, com Ricardo Cabús e Duo Lumeeiro

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mariana: um grande soluço


MARIANA

(Alphonsus de Guimaraens Filho)


"É como um grande soluço:
Mariana.


São velhas casas pedindo
um pouco de amanhecer.
São velhas casas sonhando...
São velhas casas sonhando...
Parece que vão morrer.


É como um grande soluço:
Mariana.


Navegas por entre luzes
que te recordam, na sombra
dos teus olhos,
um passado dolorido,
um passado que não viste
e que entretanto é bem teu.
Carregas na carne aflita
uma carne que morreu.


E é como um grande soluço
de mil torres,
de paisagens exaustas,
um soluço
sufocado:
Mariana.





LÁ VAMOS NÓS DA POESIA…