terça-feira, 13 de setembro de 2016

125 anos sem Antero de Quintal

A natureza em mim é conservadora, só o espírito é que é revolucionário.”
– ANTERO DE QUENTAL (em 1867)

Artigo: A tragédia em Antero de Quental, por Fernando Moura Peixoto

– JOSUÉ MONTELLO (1917 – 2016)
Em 2016 celebram-se os 125 anos de falecimento de Antero de Quental (1842 -1891), que forma, juntamente com Luís Vaz de Camões (1524 – 1580) e Manuel Maria du Bocage (1765 – 1805), a trindade maior dos sonetistas portugueses. E comemoram-se também os 174 anos de nascimento de “Santo Antero”, como o chamava o escritor Eça de Queiroz (1845 – 1900), seu compatriota e contemporâneo.
Surgir! ser astro e flor! onda e granito! / Luz e sombra! atração e pensamento! / um mesmo nome em tudo está escrito – // Eis quanto me ensinou a voz do vento.”(‘Panteísmo’)
Homem de gênio, pensador político, poeta filosófico, socialista místico e líder da mocidade acadêmica lusa de sua época – a ‘Questão Coimbrã’ e o movimento da ‘Geração de 70’ –, Antero Tarquínio de Quental nasceu em 18 de abril de 1842.
A meus olhos, és baça e lutuosa / E amarga ao coração, ó luz do dia, / Como tocha esquecida que alumia / Vagamente uma cripta monstruosa…” (‘Hino da manhã’)
Formado em Direito no ano de 1864 pela Universidade de Coimbra, e um dos fundadores do Partido Socialista PortuguêsAntero de Quental pôs fim à vida na noite de 11 de setembro de 1891, aos 49 anos, após forte crise nervosa – era portador de distúrbio bipolar.
Funérea Beatriz de mão gelada… / Mas única Beatriz consoladora!” (‘Elogio da morte’)
Depois de adquirir um revólver Lefaucheux numa loja de quinquilharias, o poeta cometeu suicídio, disparando duas vezes na cabeça, sentado em um banco, defronte ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, no Passeio Público (Campo de São Francisco), na cidade de Ponta Delgada – sua terra natal –, capital da paradisíaca Ilha de São Miguel (cognominada “a Ilha Verde”), nos Açores. No muro, um pouco acima, em um dístico de pedra lavrada, sobreposta a uma âncora, via-se escrita a palavra “Esperança”. Era tudo o que ele tinha almejado.
Na mão de Deus, na sua mão direita, / Descansou afinal meu coração. / Do palácio encantado da Ilusão / Desci a passo e passo a escada estreita // Dorme o teu sono, coração liberto, / Dorme na mão de Deus eternamente!”(‘Na mão de Deus’)
– ANTERO DE QUENTAL (1842 – 1891)
A TRAGÉDIA DO POETA
A natureza em mim é conservadora, só o espírito é que é revolucionário.”
– ANTERO DE QUENTAL (em 1867)
Poema escrito em 1977, inspirado no ensaio “A Tragédia Comotiva de Antero”, publicado no livro O ESPÍRITO HUMANO – 4ª edição, Livraria São José, Guanabara, 1961 –, de autoria do eminente médico, literato e acadêmico Inaldo de Lyra Neves-Manta (1903 – 2000), que me presenteou um exemplar – quando eu tinha 21 anos –, de honrosa dedicatória: “Para a inteligência de Fernando Peixoto, com um abraço bem apertado. Rio, 1.6. 1967”.
E também A ARTE E A NEUROSE DE JOÃO DO RIO – 4ª edição, Livraria São José, 1960 – sobre Paulo Barreto (1881 – 1921) – jornalista, cronista, contista, teatrólogo e membro da Academia Brasileira de Letras – que iria influenciar definitivamente o pseudônimo que escolhi em 1977:‘João Praiano’. Mais uma vez Neves-Manta foi pródigo em elogios: “Para Fernando Peixoto e a sua curiosidade de jovem psicólogo. Rio, 20.11.1967”.
No ano seguinte, novo brinde literário: A ALMA DO HOMEM – 3ª edição, mesma livraria e ano de publicação do primeiro – e belos dizeres do escritor: “Para Fernando Peixoto, tão cioso de sua cultura. Rio, 1.4.1968”.
“jovem psicólogo” acabou enveredando pelo Jornalismo, mantendo como livros de cabeceira as obras do saudoso Doutor Inaldo de Lyra Neves-Manta – que, desde o ano 2000, deve estar psicanalisando oCriador, por certo um manancial inesgotável – um caso clássico de triplapersonalidade – às suas observações e críticas sempre pertinazes.

Duas balas ligeiras,
a ideia cristalizando,
tomando forma na mente.
A angústia o dominava,
as dúvidas o possuíam.
Crente e descrente,
sua alma sofria.

Duas balas fagueiras
na metafísica incerteza,
nas crises melancólicas,
nas posturas místicas,
no pessimismo filosófico.

Duas balas brejeiras
na crise existencial,
na dor física e moral,
na neurose do asceta,
na ambivalência do poeta.

Certa vez, em Paris,
ouviu de mestre Charcot:
Vous n’avez rien à l’épine;
vous avez une maladie de femme
transportée dans um corps d’homme;
c’est l’hystérisme”. (*)

Duas balas matreiras
poriam fim às aflições,
à loucura iminente,
à dualidade espiritual;
Por que ser, quando se não é?”

 Duas balas certeiras,
duas balas na cabeça.
Atira, não hesita,
estoura os miolos.
Foi-se o pensador genial,
agora descansa, em paz.
Repousa Antero de Quental.

(*)Tradução: “O senhor nada tem na espinha;
o senhor tem uma doença feminina
transportada num corpo masculino;
é o histerismo.”]
Considerado então um distúrbio mental predominantemente feminino, o‘histerismo’ incluía-se campo das ‘neuroses’ – ‘histeria de conversão’ e‘histeria de angústia’ – em meados do século 19, à época de Jean-Martin Charcot (1825 – 1893), cientista, professor e neurologistafrancês, e de seus discípulos, como o anatomopatologista austríacoSigmund Freud (1856 – 1939), neurologista que viria a fundar uma nova ciência, a Psicanálise. E com ela, a humanidade nunca mais seria a mesma…
AO DOUTOR NEVES-MANTA
Este trabalho é dedicado ao médico pernambucano I. de L. Neves-Manta (1903 – 2000) – como gostava de assinar, evitando assim um trocadilho,“delira”, com o seu sobrenome –, amigo de meu pai, um baiano de Salvador, criado em Penedo, Alagoas, o médico, radialista, jornalista e literato Perilo Galvão Peixoto (1913 – 2005).
Nunca mais estive com o ilustre psiquiatra, psicanalista, professor e acadêmico Neves-Manta. As últimas lembranças que dele tenho foram de livros seus – seminovos – à venda em um sebo na Praça do Lido, espalhados na calçada da Rua Belfort Roxo, em Copacabana, onde parece que residia, ao final do século passado.
Neves-Manta (1903-2000) 
UM ESCRITOR E A SUA OBRA”
O Sr. Neves-Manta constitui o tipo de homem que vive da inteligência e pela inteligência: médico, novelista, cultor das belas artes, das ciências abstratas e concretas.”
Adotou a psiquiatria como tendência espiritual e enveredou-se por dois ramos corolários da especialidade – a psicologia e especialmente a psicanálise. Desse fato origina-se a obra literária de Neves-Manta, cujo espírito se plasmou na análise psicológica das personagens de ficção e dos tipos tomados para os estudos críticos.”
(…) Neves-Manta já possui um público pessoal: está consagrado pela opinião culta, pois é um escritor triunfante.”
ANTÔNIO AUSTREGÉSILO (1876 – 1960), julho de 1934.

domingo, 11 de setembro de 2016

Geraldo Vandré: Homenagem e reflexão

Por Dava Silveira*

Geraldo Vandré completa 81 anos em 12 de setembro e a questão da ditadura militar parece mais atual do que nunca. 

Estando a história do compositor entrelaçada com esse período da história do Brasil, resolvi selecionar um trecho do meu livro para ilustrar uma das heranças do golpe de 1964: “Geraldo Vandré exemplifica como ninguém os conflitos vividos pelo artista engajado dos anos 60. Influenciado pelas propostas do Centro Popular de Cultura, que pregava a “ida ao povo”, também convivia com a nova forma de articulação da indústria cultural com a música, tornando-a dependente de uma dinâmica mercantil que escapava ao seu controle.

Mas o compositor de “Caminhando” ilustra também o drama pelo qual passaram aqueles que se exilaram após a promulgação do AI-5 e que, ao retornarem, encontraram um país bem diferente. As transformações políticas, econômicas e culturais, provocadas pelo permanente controle do AI-5, tornaram possível a consolidação da indústria cultural, mudando, assim, toda a dinâmica do mercado, bem como da cultura brasileira”. (SILVEIRA, Dalva. Geraldo Vandré: a vida não se resume em festivais. Belo Horizonte : Fino Traço, 2011, p. 165) 

 *Na antologia Nós da Poesia: vozes da Rua, organizada pelo Instituto Imersão Latina e editada pela All Print Editora, Dalva Silveira faz uma homenagem a Geraldo Vandré. Para adquirir o livro onlie acesse www.allprinteditora.com.br

terça-feira, 6 de setembro de 2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Nós da Poesia chega ao quinto volume e marca presença na Bienal do Livro de São Paulo








Uma das maiores emoções de organizar o Nós da Poesia desde 2009, completando agora cinco edições e podendo dizer que é um projeto de mão cheia e que sempre agrega novos leitores e autores. Estive na Bienal do Livro de São Paulo para o lançamento da antologia Nós da Poesia con Nosotros, que é o volume 5 desta coleção e foi muito bom ver principalmente jovens circulando na feira, buscando conhecer o que se está fazendo de literatura na atualidade. Claro que muitos vão em busca de grandes sucessos do mercado editorial, mas é importante também o trabalho de editoras como a All Print, que estão abertas aos autores independentes, que batalham a cada dia por despertar novos olhares, mesmo em um país que o hábito da leitura ainda é uma batalha diária.

Promoção de livros na Bienal

Vai lá no estande da All Print Editora (rua G-59) na Bienal do Livro de São Paulo (no Parque Anhembi) e peça um livro Nós da Poesia con Nosotros pelo preço promocional de R$ 15,00 só até 4 de setembro. O lançamento foi nesta segunda-feira 29 de agosto, sempre com muita poesia e alegria! A antologia organizada pelo Instituto Imersão Latina reúne vários poetas ativistas da América Latina também está disponível no sitewww.allprinteditora.com.br (no site o custo é de R$ 20,00). Link direto para a coleção Nós da Poesia:http://www.allprinteditora.com.br/index.php?route=product%2Fsearch&filter_name=nós+da+poesia 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

“Santa Leitura” recebe convidados especiais neste domingo e lança concurso de redação

O evento agita a Praça de Santa Tereza e contagia todos que passam por lá No próximo domingo, dia 21 de agosto, o projeto “Santa Leitura”, segue levando cultura, entretenimento e alegria para a praça Duque de Caxias, em Santa Tereza (Praça de Santa Tereza), a partir das 10h, agora no terceiro domingo do mês.

Neste domingo o projeto “Santa Leitura”, que recebeu recentemente o prêmio “Por um Brasil de Leitores”, do Instituto Imersão Latina, receberá as ilustres presenças da escritora e contadora de histórias, Helenice Matias e do cantor Guilherme Mendes, participante do The Voice Kids Brasil. Também neste domingo será lançado o concurso “Vamos falar do Santa Leitura”, onde os frequentadores poderão participar enviando um texto com sua visão sobre o projeto. Três textos serão selecionados e premiados posteriormente. O prazo para entrega dos textos é até dia 18 de novembro de 2016 e o resultado final e premiação serão no dia 18 de dezembro de 2016.


CONCURSO:  VAMOS FALAR DO SANTA LEITURA!

Que tal ganhar um prêmio pela melhor redação sobre o projeto Santa Leitura? 

1º LUGAR: R$ 200,00 + 1 kit de livros Nós da Poesia
2º LUGAR: R$ 100,00 + 1 kit de livros Nós da Poesia
3º LUGAR: R$ 50,00 +   1 kit de livros Nós da Poesia

REGULAMENTO:

1) Conhecer o projeto de perto;
2) Já ter visitado o projeto pelo menos uma vez;
3) Redigir um texto que trate sobre o projeto e enviar para o e-mail:
4) Escrever se gosta do projeto, se ele deve continuar a ser realizado na praça Duque de Caxias, se os livros são bons; o que deve ser mudado e dê uma nota de 1 a 10 para o projeto.


Sobre o projeto 

O Santa Leitura já se tornou parte de Santa Tereza e ponto de encontro para os amantes das letras, da cultura e das artes em geral, expõe obras variadas em prateleiras, bancos e em uma passarela de 15 metros. “É um espaço do saber gratuito, aberto ao público. As pessoas passam, olham, sentam-se e lêem”, comenta Estella. No começo o projeto contava apenas com 50 exemplares, hoje, caminhando para seu sétimo ano de realização, já são mais de 7 mil livros. “A nossa biblioteca a céu aberto é um mundo de sonhos e magia para as crianças de 0 a 100 anos, ou seja para toda a família. É um projeto de amor e democracia com milhares de livros espalhados em meio a natureza esperando por todos”, diz Estella.

O projeto “Santa Leitura” nasceu em 2010, no fundo de uma loja de moda feminina, no bairro Ipiranga, que Estella possuía. “A biblioteca com o nome “Cantinho do Livro” tinha o intuito de prestar um serviço a mais para o cliente e para que eu pudesse ler nas horas vagas”, conta a artista plástica e idealizadora do projeto.

No início, fazia parte do acervo apenas os livros que ela tinha e cerca de outros cinquenta adquiridos. A biblioteca tomou um rumo repentino e passou a emprestar livros para toda a comunidade dos bairros Palmares, União, Cachoeirinha e Floresta. Com o passar do tempo novas aquisições eram feitas e muitas doações de livros também. “Com isso muitas pessoas, inclusive crianças, passavam na loja todos os dias e ficavam a tarde toda lendo. Meados de 2012, a convite de uma freira, Estella foi para a Comunidade Sagrada Família no bairro Taquaril, onde as pessoas mais carentes passaram a ter acesso à literatura. No primeiro domingo de abril de 2013 o projeto “Santa Leitura” na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza teve início. “Comecei bem tímida, mas já sabendo da aceitação do projeto aluguei um cômodo próximo à Praça para guardar todo o material. Em junho, o terceiro evento já era um sucesso absoluto e a praça estava repleta de pessoas”, destaca. Hoje, em dias de “Santa Leitura”, a praça é motivo de orgulho para a comunidade, pois muitas famílias passam as manhãs de domingo com suas crianças contando histórias e incentivando a leitura. E é assim que o “Santa Leitura” cresce cada dia mais.

Apoio

O projeto recebe o apoio do pároco da Igreja Santa Teresa e Santa Teresinha, Márcio Ribeiro de Souza, tal parceria é importante e essencial para a continuidade do “Santa Leitura” na praça Duque de Caxias. Neste domingo haverá um parabéns com um bolo feito pela equipe do projeto para o padre Márcio Ribeiro de Souza, parceiro do Santa Leitura. Expansão O projeto Santa Leitura possui um espaço permanente em Myrtle Beach, Carolina do Sul, Estados Unidos. Quem passa por lá pode conferir o espaço que fica na 509 Broadway Street. O Santa Leitura estará com o evento especial dia 28 de agosto e 11 de setembro, em Myrtle Beach.  O projeto acontece também na Praça Salvador Morici, na rua Silva Jardim, no bairro Floresta, no segundo sábado de cada mês e na Comunidade Sagrada Família no bairro Taquaril, onde as pessoas mais carentes passaram a ter acesso à literatura.

Serviço: 
Projeto “Santa leitura”
Data: 21 de agosto (domingo)
Horário: 10h
Local: Praça Duque de Caxias, Santa Tereza – Belo Horizonte – MG (Cruzamento Rua Mármore, Rua Estrela do Sul e Rua Tenente Vitorino)
 Contatos: Estella Cruzmel
E-mail: projetoleituranapraca@gmail.com
Facebook: facebook.com/Leitura

LÁ VAMOS NÓS DA POESIA…