Poetas do Nós da Poesia prestam homenagem à poetisa Maria Segóbia

Poetas participantes do Sarau Lítero Musical de lançamento do livro Poetas en Cena 5, no 7º Belo Poético - Café Status - 15/07/2011 - BH/MG. A poeta Maria Clara Segóbia é a segunda da esquerda para à direita

Fio Partido
Bilá Bernardes

Era vida escorrendo
por todos os poros
e nada lhe tirará isso

A morte levou o corpo
deixou palavras
registros
idéias
pensares

deixou presença marcante
na lembrança
no retrato
na poesia

A morte apenas rebentou um fio
mas não consegue levar
o que tecido está

Isso fica

(Inspirado em Deserto Habitado, de Maria Inês Resende, 
um dos bons livros que li nos últimos anos) 


Sorriso corrente

Só a melancolia de um tango
pode expressar a dor do adeus
A poetisa Maria Clara Segóbia
Reverberamos poesia nas calles
Quando a conheci em Buenos Aires
E no teatro da vida nos encontramos
Nas cidades com B vivemos bonanças
Em Bento Gonçalves e Belo Horizonte
E nesta hora que a saudade desponta
Seus sorrisos seguem nas lembranças.

Brenda Mar(que)s Pena


A poeta Maria Clara Segóbia

Deixa um vazio, torna-se estelar.
Palavras ditas por ela
lembro-as quais vagalumes, ora
parecendo libélulas a dançar.
ora espadas de esgrimar.
Acho que o próprio riso largo
foi a nave que a levou pelo ar...


Clevane Pessoa de Araújo Lopes.



Conheci Maria Clara Segóbia em 2005, no Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves/RS. De cara, ficamos amigos e em 2006 ela apareceu no 2º Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia de Belo Horizonte, realizado por mim e por Virgilene Araújo. A partir daí, ela era figura constante todos os anos no Belô Poético.Tivemos tantas histórias juntos por aqui, que nem sei... Tenho orgulho de tê-la homenageado ainda em vida, no 5º Belô Poético, em 2009 e olha que nem eu, nem ninguém e nem mesmo ela sabíamos de sua doença. Este ano ela não deu as caras por aqui e sentimos muita falta de sua alegria espontânea. Agora me chega essa triste notícia: Deus, precisando e muito dos poetas lá em cima, levou Maria Clara Segóbia ontem, dia 29 de dezembro para encantar um pouco o céu, com a sua poesia. Eu poderia ficar horas escrevendo um puta texto, lindo por ter sido reescrito duzentas vezes para ficar bem legal, mas prefiro apenas ser honesto comigo mesmo, abrir meu coração e dizer: - Poxa, cara, tou triste, muito triste mesmo. E tudo que estou sentindo pode ser refletido no poema que transcrevo abaixo.


Concerto para lá maior

(entre as nuvens)


Meus amigos estão todos indo embora
e eu, por enquanto
vou ficando por aqui
co

m aquela sensação de vazio
preenchendo-me os poros
as artérias, a alma, os versos.
Revejo catedrais que outrora
pensei um dia, edificar
entanto, o tempo escorre pelas mãos
entra pelos ralos
sem que ao menos, possa segurá-lo.
Alguns recitam versos lá
outros cantam entre nuvens
e cá, ficamos nós, desatando nós
nessa insegurança tão imperfeita.
Meus amigos estão todos indo embora
embora seja verdade, devo aceitar
aguardando que um dia
numa viagem menor
eu possa ver estrelas, constelações
e desvendar enfim, os mistérios dessa vida.

RogérioSalgado

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